CONTABILIDADE: O FUTURO É AGORA !!!

A contabilidade está assumindo um novo papel na era da modernidade, uma função capaz de fazer com que portas se abram e novos horizontes se expandam aos profissionais contábeis. Um corpo crescente de pesquisas indica que a linguagem das pessoas pode moldar a maneira como elas pensam. O mesmo pode ser verdade quando se trata de contabilidade: a “linguagem dos negócios”. Apoiada em seus pontos fortes, a contabilidade financeira tradicional concentra-se quase inteiramente em medir o desempenho e a condição atual de determinada organização. Os mercados globalizados estão cada vez mais preocupados com o fato de que a ênfase exagerada nos resultados de “curto prazo” esteja limitando a prosperidade econômica. De acordo com o McKinsey Global Institute, o planejamento estratégico sobre horizontes temporais de curto prazo “está aumentando e isso prejudica o desempenho corporativo, o que tem custado milhões de empregos e trilhões no crescimento do PIB em vários países”. Da mesma forma, pesquisas com executivos sugerem que muitos preferem atender às estimativas de ganhos trimestrais do que assumir um investimento que beneficie sua empresa à longo prazo.

Em resposta a essas preocupações, os mercados começaram a se concentrar cada vez mais em caminhos para o crescimento sustentável de longo prazo e reconheceram que certas questões Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) estão intimamente ligadas aos resultados financeiros. As empresas não estão buscando essas iniciativas como um meio de filantropia corporativa; em vez disso, elas os vêem como oportunidades sólidas de negócios. Embora não sejam inerentemente de natureza financeira, os fatores ambientais, sociais e de governança podem refletir questões de negócios que têm impactos mensuráveis no balanço patrimonial de uma empresa, sua demonstração de resultados ou seu perfil de risco e, portanto, seu custo de capital.

A história recente está repleta de exemplos onde várias empresas perdem valor de mercado quando casos de fraudes, acidentes ambientais ou catástrofes sociais emergem na mídia. Quando incidentes relacionados ao meio ambiente, segurança do cliente e governança de funcionários tem impactos tão dramáticos no valor das empresas, fica claro que questões de sustentabilidade são questões de negócios e que seus impactos de curto prazo poderiam ter seus efeitos antecipados em longo prazo sobre os fluxos de caixa e nos riscos associados. Entra em cena então a nova contabilidade com um papel

diferenciado, cujo objetivo, então, é ajudar os executivos a precificar com precisão esses riscos de forma antecipada e fornecer informações capazes de minimizar possíveis efeitos em vez de simplesmente esperar pela catástrofe e ficar a mercê da instabilidade do mercado como um todo.

Embora alguns problemas de sustentabilidade sejam considerados por alguns empreendedores, nos últimos anos, há uma corrente crescente de demandas sociais sobre as organizações que, por sua vez, se tornaram defensoras ativas da integração de fatores ambientais, sociais e de governança na gestão e nos relatórios corporativos, especialmente quando esses fatores são financeiramente materiais. Independentemente do estilo de atuação no mercado (investidor arrojado ou conservador), os executivos estão cada vez mais interessados em dados e informações úteis sobre como as empresas se comportam frente a estas questões.

O principal papel da contabilidade é fornecer informações úteis para tomada de decisões aos mais variados stakeholders. O planejamento de longo prazo da empresa demanda informações sobre sustentabilidade. Os empresários atuais querem dados de desempenho de sustentabilidade que estejam claramente vinculados ao desempenho financeiro e, portanto, sejam úteis para tomada de decisões. Estão à procura de indicadores de desempenho e métricas capazes de expressar fatores ambientais, sociais e de governança com reflexos financeiros materiais, sempre que possível quantitativas, comparáveis, consistentes entre empresas da mesma indústria e adequados para garantia da independente de terceiros. Imagine se as organizações tiverem acesso a alguns indicadores de desempenho – como por exemplo: histórico de desempenho sobre saúde dos colaboradores, segurança ambiental e gerenciamento de emergência e seus respectivos reflexos financeiros !!!.

É exatamente nisso que as instituições de regulamentação contábeis brasileiras estão trabalhando! Nos últimos anos, o Conselho Federal de Contabilidade, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis e outras entidades nacionais e internacionais tem se envolvido de forma conjunta em pesquisas para construir um futuro para a linguagem dos negócios. Seguindo tendências internacionais, a nova linguagem vem se consolidando para ajudar as empresas a fornecer para os mercados globalizados: informações financeiramente importantes, úteis para a tomada de decisões sobre fatores de sustentabilidade que sejam críticos para os negócios e para a sociedade, que possam ser relatadas de forma econômica pelas empresas.

Para avançar nesse campo e assegurar que a estrutura de conhecimento técnico esteja pronta é necessário a participação dos profissionais contábeis de forma ampla, inclusive com firmas de contabilidade, consultorias e instituições de representação profissional. À medida que as empresas começam a incorporar mais fatores ambientais, sociais e de governança em seus processos de gerenciamento corporativos, procurarão contadores tecnicamente capacitados para ajudar a preencher a lacuna entre a contabilidade e o gerenciamento sustentável. Esse fator nos leva a afirmar com toda certeza que para a contabilidade: O FUTURO É AGORA !!! Entendendo que o desempenho financeiro está ligado ao crescimento sustentável, podemos contribuir para o desenvolvimento dos mais variados tipos de negócios.

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