No Brasil, viver como escritor é coisa rara. Aqueles que se aventuram, sonham ao menos conseguir publicar seus livros. A falta de incentivo à leitura é um grande problema. E as dificuldades são ainda maiores para quem aborda a questão da negritudePreconceito, falta de incentivo, concorrência com as novas mÃdias e temas mais abrangentes. Estes são os principais obstáculos que um candidato a escritor enfrenta no Brasil. Além desses, o desinteresse da sociedade pela leitura, de uma forma geral, faz com que “viver de livro” por aqui seja algo bastante difÃcil.
Mesmo com as barreiras – que passam diretamente pelo déficit educacional do paÃs – o mercado editorial anda aquecido. “Hoje temos a maior indústria editorial da América Latina e a oitava do mundo”, afirma Rosane Borges, jornalista e diretora da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), autora da biografia de Sueli Carneiro, intelectual, militante e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra.
A abertura desse mercado é fruto do trabalho de profissionais como Soraia Cury, editora da Selo Negro Edições, criada em 1999 para produzir livros que suprissem, com informações de qualidade, a grande massa de afrobrasileiros em diversas áreas como história, sociologia, educação, polÃtica e literatura. Para Soraia, quem deseja entrar nesse difÃcil mercado tem, em primeiro lugar, que escolher um tema que não seja muito fechado, muito acadêmico. Em segundo, a abordagem deve ser original e contribuir com uma discussão mais ampla da temática escolhida. “Cerca de 50% da população brasileira se considera negra ou parda, temos aà uma ideia da potencialidade do mercado, mas ainda falta apresentar as informações de forma acessÃvel ao leitor. Muitas vezes, recebemos excelentes teses de doutorado sobre a temática negra, mas o número de pessoas que aquela publicação atingiria seria muito restrito. Assim, acredito que a universidade poderia capacitar os pesquisadores a transformar seus objetos de pesquisa em livros mais palatáveis e universais”, analisa.