"Cara feia pra mim é fome". Diz-se quando não se tem medo de cara
feia ou não se impressiona com ela. Ex.: Não adianta ficar me olhando
desse jeito, cara feia pra mim é fome.
"Capitão manda, marinheiro faz". É aconselhável respeitar a
hierarquia, cumprindo as ordens que vêm de cima. Ex.: Mesmo contrariado,
fez o trabalho que o chefe exigiu; capitão manda, marinheiro faz.
"Botar a bunda na janela". Ficar exposto a crÃticas, a ataques ou a
algum perigo. Ex.: Se eu aceitar as suas mordomias, vou botar a bunda na
janela.
Esses são exemplos de expressões populares brasileiras que estão no livro "Conversando é que a Gente se Entende",
lançado pela editora LeYa. São mais de 10 mil registros da riqueza da
expressão coloquial do brasileiro. Mais exemplos retirados do livro:
"É nessas horas que se conhecem os amigos". Nos piores momentos é que
os verdadeiros amigos aparecem. Ex.: Ele foi o único que me ajudou, é
nessas horas que se conhecem os amigos.
"E na bundinha, não vai nada?". Pergunta-se, como forma de protesto, a
quem pretende levar vantagem em algo. Ex.: Você diz que quer ficar com a
maior parte da herança, e na bundinha não vai nada?
"Já ter sido lÃrio do campo, agora ser tiririca do brejo". Não ter
mais a situação, condição ou posição de destaque que teve outrora. Ex.:
Rico, todos o bajulavam; pobre, está abandonado; já foi lÃrio do campo,
agora é tiririca do brejo.
O livro foi escrito pelo carioca Nélson Cunha Mello, professor de lÃngua
portuguesa, ator, pesquisador e revisor. A capa é produção do
escritório de design de Sergio Campante.
"Este dicionário nasceu do meu fascÃnio pela palavra. A palavra escrita
ou falada. Em prosa ou em verso. Em linguagem culta ou coloquial. Em
sentido literal ou figurado. A palavra, com toda a sua beleza e
versatilidade. Com todo o encantamento e a sedução do seu mágico
universo dfe significados", escreve o autor na introdução do livro,
apresentada com o tÃtulo apropriado de "Dois dedinhos de prosa".