O instituto foi criado em 1937 para subsidiar polÃticas educacionais via
pesquisas e estudos. Agora organiza o maior vestibular do paÃs, status
que passou a ter o Enem.
Quem defende a mudança argumenta que ela é necessária porque o MEC deu
finalidade ao exame que, até pouco tempo, era aceito por poucas
faculdades de ponta.
Quando surgiu, em 1998, o Enem tinha como objetivos servir como
parâmetro para o currÃculo do ensino médio e fornecer uma avaliação de
aprendizado ao estudante. Aos poucos, instituições foram aceitando o
exame como substituição ou complemento a processos seletivos.
Com a implementação do ProUni (bolsas para alunos carentes em
universidades privadas), em 2005, o Enem ganhou fôlego, já que os
candidatos precisavam da prova para concorrer ao benefÃcio.
No ano passado, o MEC decidiu que era o momento de fazer nova investida,
ampliando o exame ao vinculá-lo ao processo seletivo de mais
instituições públicas e deixando-o mais parecido a um vestibular
tradicional.
O teste que almejava influenciar o currÃculo do ensino médio virou um
vestibular centralizado: a logÃstica de elaboração e aplicação e a
entrega de seus resultados têm consequências no futuro de 2,5 milhões de
estudantes.
O custo não é só financeiro. Ao assumir a tarefa, o MEC corre o risco de
ser engolido pelo processo. Quando o exame toma outras proporções,
falhas ganham relevância e colocam em dúvida sua capacidade de
organizá-lo.
Os problemas recentes, mesmo graves, teriam menor repercussão se, em
2009, a prova não tivesse sido furtada antes de sua aplicação.
É normal que seja assim. Após um trágico acidente de avião, qualquer
pouso forçado de monomotor ganha destaque: é o clima de insegurança
gerado pela tragédia maior. O Inep e o MEC precisarão lidar no curto
prazo com este desafio: vencer as suspeitas sobre sua capacidade e levar
adiante uma proposta bem intencionada, pensada para facilitar a vida de
milhões de alunos do paÃs.